Google Analytics

terça-feira, 27 de junho de 2017

As Razões

Acredito que as razões somam-se lentamente, como um pequeno nó na garganta, que vai se avolumando, tornando-se mais que um enjoativo incômodo, até o ponto em que não se pode mais respirar sem sentir dor.

Talvez as razões sejam cortes minúsculos, que somados, formam feridas incuráveis. Pequenos desamores, descuidos ou crueldades mesmo, inflingidas com (in)consciente desejo de apagar aquele sorriso lindo, a esperança e a beleza do carinho. Uma espécie de sadismo, que também pode ser masoquismo - na medida em que arrancando os braços, evita-se abraços, ferindo os olhos, priva-se do amor que dali brota.

As razões formam-se lentamente, como uma chuva fina que não ensopa mas enregela a alma.
Nem sempre são treze, ou se estampam em pulsos cortados.
Muito mais cruel é morrer em vida.
E matar também.
A morte não é poesia.


domingo, 25 de junho de 2017

Confetes

Sabe aquelas mil pintinhas 
Que tenho espalhadas pela minha pele?
Pois é, 
Sonhei que arrancava uma por uma
As transformava em confete
E jogava pra cima sobre você.
Você sorria feliz,
Recolhia cada uma delas
E as guardava dentro do coração.

É um sonho bobo,
Repleto de toda a singeleza
De um sentimento chamado amor

sexta-feira, 9 de junho de 2017

A Vertiginosa Beleza de Um Amor Inesperado

Essa é uma época do ano delicada pra mim. As coisas costumam ficar confusas e prestes a desmoronar. Mas aí eu lembro de você e sua fome de vida, seu amor pela arte e pelos meus pés descalços misturados aos seus, nas noites frias. 

Tenho muita vontade de te explicar as coisas. Já tentei algumas vezes, mas você não tem olhos de ver e nunca, nunca consegue entender o que significa ter medo de ter medo. Não tenho mais essa pretensão faz tempo. Na verdade, isso não tem mais a menor importância. o que interessa é que não desisti de ti, de nós, de seu sorriso e de suas mãos a buscar tesouros escondidos atras da minha orelha esquerda.

Naquele inverno eu te queria tanto tanto e que me faltava o ar. Nesse quase inverno não é diferente. Aliás, é sim. É avassalador, mas sem o medo, apenas a docilidade de um amor tranquilo. Hoje eu posso ver as barreiras que venci e não tenho mais aflição por não enxergar o horizonte. Eu sei que ele está lá e que meu caminho é inexorável até ele, mas pode ser incrivelmente maravilhoso, se estiver comigo.

E você sabe exatamente como deixar tudo perfeito. Você e seu jeito único de ser, irresistivelmente encantador! Foi tudo que eu precisei para abrir-me para vida como flor. Agora é minha vez de te fazer florir, olhar de novo as cores e sorrir. Afinal, não há no mundo mais ninguém que consiga andar pela vida trajando uma larga calça xadrez, um chinelo velho e uma barba sexy, sem perceber a perturbação que causa tamanha beleza. E tenha certeza, quando seu sorriso nasce inteiro para mim, eu sinto que Deus é fodástico da porra! 

Naquele tempo, eu tava desacostumada com a leveza e mais ainda descrente na gentiliza humana. Por isso aquela madrugada foi tão perfeita. Você me fez flutuar quando me beijou pela primeira vez! Justo eu tão certa da solidez da muralha que cuidadosamente construí a meu redor! Bastou seus olhos nos meus e seus dedos entre meus cabelos para me ver rendida, embriagada por um amor infinito.

Agora eu não quero mais voltar para aquele mundo povoado por seres meticulosamente penteados e cheios de certezas. Um mundo onde não existe você. Então eu fecho os olhos e me transporto para uma casinha vulgar e cheia de risos, onde se vive livre de amarras e julgamentos. Amarras apenas as feitas com lenços de seda, nas noites mais intensas.

Um mundo onde ninguém se arrisca, onde é proibido colocar os pés no painel do carro ou abrir o portão de entrada vestindo (somente) uma gravata borboleta, não me cabe mais. Cresci tanto que não passo por aquelas portas, nem posso sentar-me nas cadeiras. Devo ter comido o bolinho de Alice e não pretendo achar o antídoto.

Vou ficar por aqui, nessa vida repleta da vertiginosa beleza de um amor inesperado.

Me dá sua mão? 
Meus dedos se sentem sozinhos quando não estão entrelaçados nos seus.

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Solstício de Verão na Polônia




"Oi amor,
Tudo bem?
Sinto que não te escrevo há décadas.
Olha, andei no vale da amargura e  tenho medo de voltar pra lá.
Por mais de tudo dessa vida,
Certas coisas não posso dizer, nem se me perguntar.

Mas a vida também é muito curiosa.
Cada esquina nos traz um novo aprender


Em algumas ruas reencontramos uma paz,
Que parece uma velha amiga.
Ela não mora, nem faz estadia.
Passa a visitar ou cria-se no peito nosso
E como fonte do mundo, faz tudo brotar.
Brotar até as palavras,
Esse insumo da alma,
Buscando sementes
Que nem antes eram conhecidas por esta consciência.

As coisas são assim,
Se afastam
Se misturam
Num momento expulsam qualquer coisa
Noutro é enxurrada de emoção com ventos de candura.

Nesses momentos,
O peito é terno e a vontade é tranquilizar-te,
Dizer-te tudo aquilo que de mais lindo há
E fazer-te sentir amor e paz,

Se por algum minuto
Conseguir transferir-te essa paz,
Ganharei também em mim,
Esse nobre sentimento,
Pois com muita força e verdade
Eu te amo e respeito."

TH

terça-feira, 30 de maio de 2017

Carta para Ninguém


(ou para todos, você escolhe)



Essa carta é principalmente pra dizer obrigada.
Obrigada por adoçar meu espirito
A ponto dele ter coragem para ver o sol
Olhar estrelas, sorrir para a lua
Abrir meus olhos e meu coração
Para algo precioso: eu mesma

Sua amizade, ainda mais que seu amor
Permitiu que, mesmo timidamente, eu acreditasse de novo
Que podia, talvez, ser feliz
Que merecia, quem sabe, ser amada
Cuidada, carinhada, coberta de pequenos mimos
Aqueles que muita gente por aí esquece de enxergar
Porque sente de menos

Sabe,
Ser negligenciada e ferida
É uma coisa louca
Tão louca que a gente passa a achar natural
As pessoas se acostumam com o punho
Mais facilmente que com o afago
Ai, quando te olham nos olhos
Regam sua alma
Dá vontade de tanta coisa
Menos de acreditar

Essa carta é especialmente pra dizer obrigada
Obrigada por me ouvir com paciência
Por estar perto quando eu menos merecia
Por não largar minha mão

No momento que eu tive coragem de pular
Foi você quem me convenceu que valia a pena
Que eu conseguiria ser livre outra vez
Mesmo que nada disso soubesse
Mesmo que nada eu tenha falado
Dos grilhões que me prendiam
Das cicatrizes da minha alma
É que tem coisas que dão vergonha

Era tão belo poder ser uma moça inocente
Uma menina que não conhecia a dor
Muito menos o medo
Foi maravilhoso ser tão infinitamente amada

Por um átimo da eternidade eu conheci a plenitude
Fugaz, mas tão bela
É estonteante a felicidade
Tão, tão intensamente linda que precisa partir

Caprichosa como uma Deusa
A felicidade escolhe seus súditos
Aleatória e efemeramente
Esmaga, mas enaltece
O gosto que fica é de encantamento
Ainda que amargo

Essa carta é essencialmente pra dizer obrigada
Obrigada mesmo
Obrigada por, depois de me salvar
Fazer com que eu cometesse o maior erro da minha vida

Entenda, algumas habilidades são difíceis  de desenvolver
Ser amada é uma das mais árduas 
Parece uma pequena gazela
Aprendendo a se equilibrar sobre suas longas pernas
Desengonçada e adorável
Sem a menor noção de como seus gestos bruscos
São capazes de machucar
Mas ainda assim ela tenta
Tenta e cai
Cai e tenta
Até aprender a se por de pé

Foi esse erro que me trouxe de volta a lucidez
Que espantou o medo de mim
Algumas dores são mesmo tão agudas que param de doer
E um dia a gente deixa tudo isso esvair e renasce
E sabe, 
Quando você deixou de ser perfeito
Eu me vi livre enfim

Algumas pessoas ferem para evitar ferir demais
Negam amor por amar demais
E não é que isso é lindo?
Lindo e cruel

Essa carta é, enfim, não é só pra te dizer obrigada
Mas pra te contar
Que os grilhões sempre vencem no final
Só os tolos acham que o amor salva alguém
O que manda na vida é a força

Agradeço a Deus que seja um absoluto tolo

Fica em paz

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Versos Aleatórios, Rimas sem Propósito



"O dia trouxe a calmaria para um coração sofredor.
Diante do estúpido prelúdio do instante, disse-me alguém: não se adiante.
Sai dali transfigurado.
Pensando na vida, você ao meu lado.

Como pude ora pensar que qualquer quantia te faria afastar?
Idiota fui, viver o hoje porque o amanha sempre virá,
De tanto querer, amo-te, mesmo ao esperar.

As ondas já não violam as paredes do meu peito.
Ouço sons, se misturam e ainda assim parecem perfeito.
Vejo tempos em que te direi não, mas não se aflija.
Cada minuto será uma hora segurando tua mão.

Termino aqui esses versos, sem saber o que foi dito ou não.
Por via das duvidas, digo:
Te amo, com toda minha emoção."

TH

sábado, 13 de maio de 2017

Lembrar e Esquecer



Eu já tive medo de ter Alzheimer. Pensar que em algum momento eu poderia ficar refém da minha mente, perdida de minhas memórias, esquecida de meus afetos, me enchia de pânico!
Pior que isso era só a ideia de morrer e ser enterrada. Desde pequena eu tenho medo de ser enterrada. Sei lá, vai que eu não morri mesmo e acorde presa debaixo da terra. Deus me livre! Só de pensar já sinto falta de ar. Sou muito claustrofóbica, melhor não.
Já a ideia de ser cremada é bem interessante. Virar cinzas que serão soltas do topo de uma montanha bem alta e voar livre pelo mundo é uma imagem que me traz paz. 

Mas não é disso que eu quero falar.

Voltemos ao Alzheimer.

Sou um tipo meio intenso, daquele que coleciona momentos fantásticos. Na verdade, eles são até prosaicos, mas vividos com tamanha entrega, que sim, são extraordinários. Moram em mim todas as  alegrias, dores e amores. Todos! 

Todos! Todos os amores que (não) passaram por minha vida. Meu coração é um catálogo imenso de afetos e uma amostrinha mínima de desamores. Tenho dificuldade em deixar as pessoas irem de mim, é como se eu as tivesse abandonando. E quem ama não abandona. Nunca.

Não cultivo memórias ruins. Mas algumas são como ervas daninhas: terríveis a ponto de se recusem a me deixar, se agarrando ao meu cérebro com sofreguidão. Têm, também, as memórias perfeitas. Tão lindas que doem por serem agora, apenas, lembranças.

Eita pessoa complicada!
Seria tudo muito mais fácil pra você, mulher
Se aprendesse a ser menos!
Menos emotiva, menos intensa, menos boba, menos menos.
Menos.

Somos ensinados a perdoar, não cultivar a ira. Mas realmente um pouquinho de rancor não faz mal a ninguém. Quando temos um coração distraído. é comum as mágoas que nos causam irem embora sem deixar vestígios. Isso nos deixa desprotegidos! 

A memória da dor deixa as pessoas medrosas. Aquela paradinha do gato escaldado. Não sei ser medrosa, é uma habilidade que preciso aprender. Odiar também é algo que não domino, nem menos guardar uma raivasinha, uma mágoa bem dosada.

Nossa, isso soa bizarro!
Eu entenderei se nessa altura você tenha desistido de ler essa coisa ou me ache uma louca.
Enfim, normal.

Ahh é, o Alzheimer! Esqueci que eu queria falar dele.

Então,
Estava refletindo que talvez não seja uma má ideia esquecer de tudo e de todos.
Não sentir saudade, não sentir arrependimento, não sentir tristeza, não sentir amor.
Não sentir.

Ou sentir, mas não se lembrar.
Olhar tudo em volta com a curiosidade de um recém-nascido, uma página vazia a ser preenchida e não relida. A gente vem atulhando nosso HD mental com tantas lembranças, que um bug pode ser a chance de formatar e se sentir mais leve, ágil.

Não sei mais se gostaria de envelhecer com toda essa bagagem emocional.
Não sei, também, como me livrar dela, sem perder minha essência.
No fundo o que eu queria mesmo era nunca ter magoado quem amo, porque esses sim são os pesos emocionais que não posso esquecer. E isso é injusto, pois a contrapartida é desproporcional, na medida que perdoo e esqueço todo o mal que me fazem.

Um Alzheimer seletivo seria ideal.
Quem sabe assim eu aprenderia a lembrar (esquecer) apenas daquilo que me faz mais forte.

Ser intensa é exaustivo.
Ter boa (má) memória também.