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terça-feira, 11 de agosto de 2026

Quem?


Quem me conhece sabe que 

meu amor é cuidado

minha cor é o vermelho

meu maior medo é perder a memória

 

Que me conhece sabe que tenho

alma de bailarina

um sol dentro dos olhos

cheiro de riso

 

Quem me conhece sabe que 

falo dormindo

tenho pernas tortas

rio quando tô com fome

 

Quem me conhece sabe que 

a tristeza me deixa quieta

o silencio é sinal de alerta

eu choro baixinho quando não vejo saída.

 

Mas o que ninguém sabe…

O que ninguém sabe…

Acho que ninguém realmente sabe nada sobre mim.

Hoje isso tá pesando

Como um mundo sobre as minhas costas.

É difícil ser Atlas na vida.


domingo, 14 de dezembro de 2025

Alice or Jane?



"Não quero mentir e não posso dizer a verdade, então acabou.”
(Closer - 2004)








Ah Alice! A desconfiança é um veneno mortal!
Chega um ponto em que nada que faça ou diga
será capaz de atravessar couraças tão duras
curtidas pela dor e medo.
Tanto sofrimento por um mero segredo!

Adeus Alice, é hora de ser Jane sem receio
Sem condições, cobranças ou rodeio
Seja audaz!
Procure quem realmente não seja capaz
de tirar os olhos (a alma e o coraçao) de ti.
Por que você, Jane, é por demais preciosa
para ser tratada de forma desamorosa.

Dan é um idiota e covarde.
Amor é para os fortes!

Soundtrack:




PS: Alice Ayres é tão fascinante porque não é apenas um nome. É um símbolo de como nos reinventamos e nos protegemos, dentro das relações interpessoais, particularmente, as afetivas. 

Sua história nos faz refletir: até que ponto somos sinceros e transparentes? E o que realmente significa ser autêntico? Nietzsche nos encoraja a criar significado em vez de apenas buscá-lo. Goffman nos lembra que a identidade é performativa. Lacan aponta que a verdade do sujeito é sempre fragmentada e mediada pelo desejo do outro.

E você, o que tem a me dizer sobre si?

domingo, 7 de setembro de 2025

Carta para o amor que imaginei


Oi Reloginho,


Como você sabe, eu preciso escrever 

É quase como respirar

Houve um tempo que eu acreditei que meus escritos

Eram inspirações e consolo para ti

Lamento perceber que não

Na verdade nem lamento

Não há sentido algum ressentir por algo impossivel


Relutei fazer aquilo que, há tempos, se mostrou ser o único caminho

Enfim consegui dar o primeiro passo

Desde, então, 

Fui soterrada por uma avalanche de histórias 

Ridiculamente banais

Visivelmente inverrossimeis

Um padrão explicitamente falso

Como não vi? 


Sou uma tempestade de sentimentos

Você  sentiu mil vezes

Meus risos, minhas lágrimas, minha ira e meu afeto

Então, desde que fui embora

O duelo de sensações e imagens mentais foi feroz


Do lado iluminado, o som do riso leve que tão me encanta

O afago, o cuidado, a presença suave, o som do seu coração...

Nas sombras, as inconstancias

A incapacidade de perceber o impacto dos seus atos sobre mim, a crueldade...


Não foi uma luta longa

Bastou escutar sua voz colocando em palavras 

Tudo aquilo que sempre foi um punhal roçando minha pele

Dessa vez cravou sem dó:

"Tu, eu não..." 

Não consigo escrever.


O nocaute foi implacável

Fim do embate

Fim das dúvidas

Fim.


Mantive a esperança enquanto pude

Você escolheu o caminho inverso

Agradeço o aprendizado que tudo isso me trouxe

Não te odeio, nem te amo

Também não espero nada de ti


Talvez  jamais seja capaz de entender 

Que seu caminho tortuoso não me cabe

Ou, quem sabe, você realmente tentou?

A resposta não tem nenhuma importância. 


Cada um colhe o que planta

Eu vou plantar no meu jardim

Miamar-Mamiar ficará como um trocadilho secreto

Ao menos isso. 


quinta-feira, 28 de agosto de 2025

A história que não mereceu despedida


E no fim, era tudo verdade!

Ela não precisava esperar outro agosto

Pra admitir que todas as evidências estavam ali



Mulheres são teimosas por natureza

Mas ela

Ela é a teimosia

Por isso sente tudo muito mais



Sorte

Azar

Não

Não

Só mais do mesmo

Só mais uma história monótona



E ela?

Ela é uma fênix

Vai renascer ainda mais esplendorosa


Tem gente que míngua no ocaso

Ela brilha

Ela tem uma Estrela na testa

E uma obstinação inata

Triste dos rastros que choram no escuro

Adeus.

sábado, 5 de julho de 2025

A Razão

Uma vez conheci um cara muito rígido

Sempre com o semblante fechado

O nome dele é Apolônio 


Esse homem decidou a vida a provar que sempre tinha razão  

Nesse processo, magoou muito as pessoas que o amavam

Deixou todas frágeis e solitárias

Causou sofrimento e muitas lágrimas

Mas, finalmente, venceu


Todos na cidade se reuniram para homenageá-lo 

Louros, coroas de flores e um lindo trofeu escrito: 

"Parabéns, você é o dono da razão". 


A festa acabou

Todos voltaram para suas casas com suas respectivas famílias

E Apolônio ficou ali 

Sozinho

Com o troféu nas mãos 


Olhou em volta

Viu os vestígios da festa 

As taças vazias, o mundo escuro e um silencio ensurdecedor

Foi, então, que ele perguntou ao vento: 


                        "E agora, o que eu faço com essa razão?"




segunda-feira, 2 de junho de 2025

Epitáfio

                                                                       (Pode ser de Julho a Junho também)


Todo amor merece um marco de adeus

Dessa vez a mensagem é muito singela:

A vida é muito cruel

Não levo jeito pra ser gente

Prefiro ser poesia


Seja bem vindo de volta, estado étereo.

segunda-feira, 10 de março de 2025

Tempestade ou Calmaria?


Existem pessoas que são viciadas na adrenalina gerada por uma briga
Em provocar a fragilidade do outro
Talvez gostem da sensação de que tudo pode acabar no próximo instante
Vai entender!

Sou viciada mesmo é na calmaria de uma conchinha
Num abraço de bom dia seguido de um “quebomquocêtáqui” ou, melhor ainda, "amocê" 
Na saudade antes mesmo de partir
No sexo de amor, não de reconciliação
Na sensação de poder se jogar com a certeza de que o outro vai te segurar
No cafuné na cabeça com colo macio depois de um dia áspero
Nas madrugadas de conversa que passam sem ver
Na sensação de entregar o coração na mão do outro e ter certeza de que será cuidado
Nas declarações de amor deixadas no espelho

Na verdade,
Esse negócio de fazer o outro sofrer pra ter certeza de ser amado é uma enorme infantilidade
Quem faz assim merece que o feitiço se vire contra si e acabe realmente sozinho
Acho fino um amor tranquilo, sólido e transparente.

quinta-feira, 31 de outubro de 2024

Sobre o fim


Disseram-me
Amor não morre de morte matada
Amor morre de morte morrida.

Amor morre no coração
Morre de desquerer bem
Desquer, desquer
E quando menos se espera
O amor morreu.

É assim 
Dá até pra gente duvidar que um dia amou
Mas amou

Amou um amor doído 
Que desdoeu
Um amor com cheiro de sonho
Que desbotou
De tanto que se molhou 
Que quase afogou
Num mar de lágrimas.

domingo, 8 de setembro de 2024

Teus Olhos

(Presente do mais lindo amor de Maria)

 


"Nem mesmo a ressaca dos olhos da amada casmurra foi,
de longe, a embriagues que são teus olhos.

Nem mesmo o definhamento de uma estrela em buraco negro
tem a força que tem teus olhos.

Nem mesmo o brilho do sol ao meio dia de verão é
capaz de ofuscar o brilho que tem teus olhos.

Nem mesmo a ternura de uma mãe ao olhar para seu bebê 
é equivalente à ternura dos teus olhos.

Nem mesmo o som das harpas celestiais chegam à melodia
que cantam os teus olhos.

Nem mesmo a ira de Vesúvio seria páreo para a fúria dos teus olhos.

Nem mesmo a leveza da libélula do lago flutua o suficiente
perto da leveza dos teus olhos.

Nem a escuridão da noite mais escura na caverna
tem o negro dos teus olhos.

Nem as escadas para a montanha mais alta cansam
tanto quanto cansam teus olhos.

Nem o dia mais frio do inverno mais rigoroso em plutão
esfria o calor dos teus olhos.

Nem mesmo o ouro mais reluzente do outono
chega ao dourado que tem teus olhos.

Nem mesmo todo o universo e suas paralelidades
podem chegar à totalidade dos teus olhos.

Como teus olhos, somente teus olhos, pois somente
teus olhos são teus.

Maior que teus olhos, somente os meus, 
pois somente com meus olhos 
é que posso contemplar os teus."

TH


PS. Reparando, enfim, uma omissão dolorosa e necessária por muitos anos. Obrigada por este e muitos outros presentes tão maravilhosos. São teus, mas são meus. Sempre e para sempre, onde estivermos.

domingo, 21 de julho de 2024

Feliz Ano Novo

Um dia me perguntei

Qual o instante em que tudo muda

E revirei minha história do avesso

Em busca de momentos grandiosos

Marcantes o bastante para serem inesquecíveis

 

É tão linda a pureza de um amor genuíno

Mas essa beleza tolda a visão

É por isso que, por mais que eu procurasse

Essa resposta nunca veio

 

A verdade é que a vida muda de forma leve

Com pequenos instantes prosaicos 

Sem sobressaltos nem dramaticidade

Que eu possa inspirar essa paz e caminhar

Estou ansiosa por tantas cores e sabores que estão por vir



sexta-feira, 19 de julho de 2024

Blues Eyes

Faça o que quiser
só não me olhe assim que não aguento
Esses seus lindos e profundos olhos azuis
Acertam em cheio o meu frágil coração
Forte como uma bala perdida
Achada nas minhas veias
E cadeias sentimentais.
Sob o jugo de seu olhar
Crua eu padeço e me perco
Tu me desvendas e e eu transpareço.
Ah mor, esqueça tudo que eu disse
Faça o que quiser
Me inunde com seu oceânico olhar
Não sei mais ser sem tanto azul.

domingo, 12 de setembro de 2021

A Teia


(A Crueldade de Lady Sophie)





Confesso,
Te enfeiticei por puro capricho
Mas a culpa desse tédio que tanto me irrita
E obriga a fazer coisas perversas

Mulheres odeiam ficar sem diversão!








O jogo de fazer-te amar-me com ardor
Foi delicioso e irresistível!
Excitava-me envolver-te
Com minhas palavras doces e promessas vãs,
Seduzir-te com meus aromas e sabores,
Contemplar-te os belos olhos,
Tão crédulos e apaixonados!
Mas a verdade é que cansei de tanta ingenuidade.

Gosto de uma aventura sem vergonha, não nego.
Normalmente sorveria mais de seu amor,
Sugaria até extrair a última gota de seu néctar,
Devorar-te-ia por inteiro.
Mas perdi o apetite.

Não lamente, Milord.
Apesar de me irritar essa sua adoração incondicional 
Vou deixa-lo sair razoavelmente vivo de minha alcova.
Agradeça à sua capacidade de me fazer rir,
Ela foi sua salvação.

Não me aborreça com perguntas tolas!
Vai-te embora logo,
Antes que eu mude de ideia
E engula seu coração.

Estou com sono
E vou descansar minha beleza.
Nunca mais lembrarei de sua existência,
Portanto, sobreviverá.

Sorte sua ser tão ordinário.
Se sou cruel?
Obviamente!
Faz parte da minha natureza!
O que esperava de uma mulher?

segunda-feira, 22 de junho de 2020

A MOÇA QUE DANÇA



Me lembro da primeira vez que vi um repertório, Eu devia ter, sei lá, uns 6 anos ou menos. Quando dei por mim, estava dançando também. Embalada numa pirueta torta, sentindo a emoção do giro. Nesse dia, tive certeza que minh'alma é bailarina.

A moça que dança
Nasce bailarina
A musica corre em suas veias
Porque dançar não se aprende
Se descobre, se aprimora

Mas não pense que é um presente fácil
Dançar é um ato de rebeldia
Exige uma coragem imensa
Uma certa falta de vergonha
E nenhum medo do ridículo
Porque uma bailarina cai e se levanta mil vezes
Até atingir o passo perfeito

Pra quem só enxerga o evidente
Acha que a bailarina é uma moça delicada
Calçada com uma linda sapatilha
Sem saber que por dentro sangra
Encanta-se com os suaves e elegantes trajes de fiió
Sem imaginar que, para usa-lo com graciosidade
São anos de treino sem trégua
Até encontrar a linha de pernas e a curvatura de braços perfeita
Tudo para que aos seus olhos aquele porte de rainha
Pareça um movimento casual

Desejo que mais pessoas descubram um dom dentro de si
Em tempos violentos, só a arte salva.

sexta-feira, 12 de julho de 2019

SENTIR

De todas as mãos do mundo
A tua passeia em mim
Com uma vontade e um pedido inquieto.

Sabe do caminho,
Da resposta,
Da recíproca.

Tua mão,
Me acalenta e seduz,
Afaga e incendeia.

Tua mão,
Mais prazer me dá,
Quando simplesmente abraça a minha.

sábado, 14 de julho de 2018

Ocaso


Há quatro anos a poesia iluminou minha vida
Trouxe cores e amores
Alegria e dores

Sem a poesia
Definhado eu teria
Murchando morreria

A cada dia
sou menos flor
sou menos cor
sou menos amor

A poesia tá se apagando
E o silencio se instalando
A hora do adeus chegando

Não vou  apressar o ocaso
O silencio das palavras
se fará no tempo certo

Breve e indolor
Será uma linda lembrança
Um dia

segunda-feira, 28 de maio de 2018

Leminskiando

Palavras Mescladas


Você SEQUER
Sabe SE QUER
Viver sozinho DEMAIS
Ou ser DE MAIS alguém.

Decida-se

.....................SE QUER

........................................SEQUER

...........................................................DEMAIS

...........................................................................DE MAIS

domingo, 31 de dezembro de 2017

Entre o Outono e o Caos




"Vem e traz essa calcinha branca."
"Moço, ela é listrada! hahaha"
E eu fui

Fui
Na pressa, esqueci a calcinha
Mas lembrei do chocolate belga
E dos bulbos de tulipa vermelha e amarela
Pra você plantar e não me esquecer
Quando o sonho acabar

Fui
Só fui, sem pensar um minuto sequer
Essa intensidade e impulsividade louca
Típica de nosso amor único
Coração descompassado, unhas roídas até sangrar





O celular piava loucamente
Gritando sua pressa zangada por minha chegada
O portão já esperava destrancado
Claro que tropecei na escada escura e soltei aquele "merda" estridente
Que te faz gargalhar do meu jeito estabanado ser
É muita perna pra uma moça só
Difícil administrar, você sabe

Ouvir sua risada no escuro
Fez meu acelerado coração
Dar mortais carpados de emoção
E lá estava você
A mesma voz serena e toque macio
Um revival in black do nosso primeiro abraço

A casa era exatamente como me lembrava
O sofá grande abaixo da janela
O pequeno perto da porta onde eu adormecia
Ouvindo a Vó contar historias de quando você era pititico

E o vento
Ahh o vento...
Uivante, assustador e delicioso
Trazendo de longe o cheiro de maresia

A casa era a mesma
Mas a emoção de ter seus olhos escuros invadindo o amarelado dos meus
Cresceu proporcionalmente ao tempo que estivemos tão distantes
O seu cheiro é ainda mais inebriante que minha memória pode guardar
Você sabe que seu cheiro é o que destrói meu cais, como diz a Ana Muller

E você percorreu cada traço do meu rosto e corpo com as pontas dos dedos
Lendo meu amor em braile
Olhos fechados e coração na boca

"É estranho ter você aqui de novo"
Uma estranheza apagada pelo primeiro beijo
Aquela embriaguez profunda
Como cair vertiginosamente em um abismo

Beijos e abraços feitos para conferir
Se cada pequena curva e reentrância
Vibra e retesa
Reverberando mais ou menos que antes

Mais
Definitivamente muito mais
A noite derreteu em nosso suor
E cantou nossos sussurros e gritos

Acordei em seus braços
Naquela cama estreitinha
Que nos obriga a dormir grudados (como se precisasse)
Só que dessa vez duas bolinhas de pelo
Uma branca e uma preta
Se aninhavam entre nossas pernas

Gatos
Iogurte de limão e coca zero na geladeira
Louça pra lavar
Lista de coisinhas pra comprar no mercado do fim da ladeira
É
Eu estava em casa de novo

Casa
Porque moro no seu abraço
E no seu olhar risonho
Me olhando dormir de boca entreaberta

Será que a vida inteira acordarei sobressaltada com seus olhos pousados em mim?
Enfim percebeu que o que falta em você sou eu?
A gente sempre pensa que tem o leme da vida.
E ela zomba de nossa ingenuidade.

Sigamos entre o outono e o caos

De preferência com um pratinho de maça geladinha picada 
Com azeite e canela no café da manha
E "Casa" tocada no violão só pra mim antes de dormir
Não esquece

sábado, 2 de dezembro de 2017

A Incrível História de um Amor Torto e Teimoso: o medo lutando contra a saudade


Estava tudo tão vazio aqui
Silêncio ensurdecedor
Lagrimas secas
Olhos cegos
Uma ausência sem fim

Promessa cumprida
Sob um esforço furioso
Tanta dor represada
Para (tentar) deixar voar

Depois de tamanha escuridão
De um inverno profundo na alma
Numa tardinha de primavera
Um tilintar quase imperceptível
Como um sopro ao ouvido
E você estava lá
Zombando das minhas (pseudo) certezas

No início meio apagado
Só um vislumbre daquela lembrança quase perdida
Empurrada para o mais fundo da mente
Amordaçada para disciplinar
Para impedir de o acaso trair

Mas você sabe como são essas coisas
Por mais que a gente enclausure
O sol entra pelas frestas
E a vida acha seu caminho
Você sabe
Eu sei que você sabe

E seu sorriso de olhos
Suave como a brisa
Belo como o mar
Me inundou como uma maré alta
Numa noite de lua cheia

E as cores desbotadas do outono
Florescem timidamente em mim
Como um sentimento confesso de olhos fechados
Arrancado do fundo da alma

Não levante de novo as armas
A vida anda ansiosa pra morar de novo em ti
E em mim também

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Será branco ou preto, o vazio?

Li algo hoje tao doído sobre o "não sentir".
Me fez lembrar, que um dia eu senti demais.
Não é uma lembrança clara, tá mais pra um borrão.

O moço falava alguma coisa sobre sua porta estar só encostada.
Isso me causou um breve risinho, uma certa ternura perante tão doce ilusão de controle.
Apesar de mergulhada nesse tal "não sentir", ainda não estou tão empedernida a ponto de achar que a paixão liga o mínimo que seja para as vontades humanas.
Minhas cicatrizes são fundas o suficiente pra nao me deixar esquecer, que manter a porta aberta ou trancada é indiferente perante a avalanche de uma paixão genuína.

Seres intensos não sabem dosar a entrega, seja ao extase ou à dor. A gente vai e vive até a última gota, o último suspiro. Dai, só sobra o vazio.

Essa minha bizarra quietude emocional apenas reforça que somente sei viver sem medidas.
Au revoir.

PS: Não confunda apatia com desamor. O amar tem vida própria e persiste até ao vazio emocional.

domingo, 29 de outubro de 2017

E quando chega a noite

"Vi uma imagem, um reflexo de ti.
Numa sacada ao luar
Sob uma luz não tão branca nem tão amarela, algo acolhedor
A iluminar furtivamente seu olhar.
Uma cor vermelha nas paredes,
Um carmim no chão,
Alguns cantos na penumbra.
Um som suave com cheiro doce, mas também fresco e profundo.

Mas não.
Você não está aqui.

Estou a definhar pelo ocaso.
A escuridão que abate o mundo chega a meu coração.
Sigo a estrada, viro a rua, penetro pela entrada, giro a maçaneta e bebo a escuridão
De um lugar que não é iluminado por teus olhos.

A noite inventou a tristeza.
Aprofundada pela sensação de chegar em casa e não ter você à minha espera." 

TH