PS: Alice Ayres é tão fascinante porque não é apenas um nome. É um símbolo de como nos reinventamos e nos protegemos, dentro das relações interpessoais, particularmente, as afetivas.
E você, o que tem a me dizer sobre si?
Oi Reloginho,
Como você sabe, eu preciso escrever
É quase como respirar
Houve um tempo que eu acreditei que meus escritos
Eram inspirações e consolo para ti
Lamento perceber que não
Na verdade nem lamento
Não há sentido algum ressentir por algo impossivel
Relutei fazer aquilo que, há tempos, se mostrou ser o único caminho
Enfim consegui dar o primeiro passo
Desde, então,
Fui soterrada por uma avalanche de histórias
Ridiculamente banais
Visivelmente inverrossimeis
Um padrão explicitamente falso
Como não vi?
Sou uma tempestade de sentimentos
Você sentiu mil vezes
Meus risos, minhas lágrimas, minha ira e meu afeto
Então, desde que fui embora
O duelo de sensaões e imagens mentais foi feroz
Do lado iluminado, o som do riso leve que tão me encanta
O afago, o cuidado, a presença suave, o som do seu coração...
Nas sombras, as inconstancias
A incapacidade de perceber o impacto dos seus atos sobre mim, a crueldade...
Não foi uma luta longa
Bastou escutar sua voz colocando em palavras
Tudo aquilo que sempre foi um punhal roçando minha pele
Dessa vez cravou sem dó:
"Tu, eu não..."
Não consigo escrever.
O nocaute foi implacável
Fim do embate
Fim das dúvidas
Fim.
Mantive a esperança enquanto pude
Você escolheu o caminho inverso
Agradeço o aprendizado que tudo isso me trouxe
Não te odeio, nem te amo
Também não espero nada de ti
Talvez jamais seja capaz de entender
Que seu caminho tortuoso não me cabe
Ou, quem sabe, você realmente tentou?
A resposta não tem nenhuma importância.
Cada um colhe o que planta
Eu vou plantar no meu jardim
Miamar-Mamiar ficará como um trocadilho secreto
Ao menos isso.
Uma vez conheci um cara muito rígido
Sempre com o semblante fechado
O nome dele é Apolônio
Esse homem decidou a vida a provar que sempre tinha razão
Nesse processo, magoou muito as pessoas que o amavam
Deixou todas frágeis e solitárias
Causou sofrimento e muitas lágrimas
Mas, finalmente, venceu
Todos na cidade se reuniram para homenageá-lo
Louros, coroas de flores e um lindo trofeu escrito:
"Parabéns, você é o dono da razão".
A festa acabou
Todos voltaram para suas casas com suas respectivas famílias
E Apolônio ficou ali
Sozinho
Com o troféu nas mãos
Olhou em volta
Viu os vestígios da festa
As taças vazias, o mundo escuro e um silencio ensurdecedor
Foi, então, que ele perguntou ao vento:
"E agora, o que eu faço com essa razão?"
(Pode ser de Julho a Junho também)
Todo amor merece um marco de adeus
Dessa vez a mensagem é muito singela:
A vida é muito cruel
Não levo jeito pra ser gente
Prefiro ser poesia
Seja bem vindo de volta, estado étereo.
"Nem mesmo a ressaca dos olhos da amada casmurra foi,
de longe, a embriagues que são teus olhos.
Nem mesmo o definhamento de uma estrela em buraco negro
tem a força que tem teus olhos.
Nem mesmo o brilho do sol ao meio dia de verão é
capaz de ofuscar o brilho que tem teus olhos.
Nem mesmo a ternura de uma mãe ao olhar para seu bebê
é equivalente à ternura dos teus olhos.
Nem mesmo o som das harpas celestiais chegam à melodia
que cantam os teus olhos.
Nem mesmo a ira de Vesúvio seria páreo para a fúria dos teus olhos.
Nem mesmo a leveza da libélula do lago flutua o suficiente
perto da leveza dos teus olhos.
Nem a escuridão da noite mais escura na caverna
tem o negro dos teus olhos.
Nem as escadas para a montanha mais alta cansam
tanto quanto cansam teus olhos.
Nem o dia mais frio do inverno mais rigoroso em plutão
esfria o calor dos teus olhos.
Nem mesmo o ouro mais reluzente do outono
chega ao dourado que tem teus olhos.
Nem mesmo todo o universo e suas paralelidades
podem chegar à totalidade dos teus olhos.
Como teus olhos, somente teus olhos, pois somente
teus olhos são teus.
Maior que teus olhos, somente os meus,
pois somente com meus olhos
é que posso contemplar os teus."
TH